Ensino Híbrido: uma saída para a educação nos tempos de pandemia?

Inovação do modelo tradicional de ensino e aposta para a educação do futuro

A emergencial necessidade de digitalização nas escolas abriu espaço para a inserção de novos métodos educacionais para todo o país. Para dar continuidade ao ano letivo durante o período de isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus, as instituições e os profissionais tiveram que se reinventar e adotar a Educação a distância.

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O EAD, porém, limita diversas experiências além de não ser acessível a todos. A partir dessas limitações, novas formas de trabalhar o aprendizado vêm sendo pautadas, uma delas é o ensino híbrido, um modelo que exige muito mais parceria entre as famílias e as instituições de ensino.

O que é o ensino híbrido?

O ensino híbrido, ou blended learning, consiste na união do ensino presencial com o ensino online, inovando e potencializando o modelo tradicional da educação com a ajuda de tecnologias. O termo refere-se a “aprendizagem combinada”, e dá mais liberdade aos alunos ao oferecer rodízio entre aulas presenciais e virtuais. Essa metodologia pedagógica busca fortalecer e desenvolver competências essenciais para as futuras gerações.

As crianças estão tendo contato com a tecnologia cada vez mais cedo, assim, é fundamental utilizar essas ferramentas como aliadas no processo de ensino-aprendizagem. Aliando métodos online e offline e captando o melhor de cada ambiente, potencializa-se o aprendizado dos alunos, esse é o objetivo do ensino híbrido.

Foto: Arquivo pessoal
É uma boa “saída” para a educação nos tempos de pandemia?

A pedagoga e profissional da educação, Arnanda Oliveira, acredita que, para o período pandêmico, o ensino remoto ainda seja a melhor opção, desde que sejam dadas as condições mínimas para os alunos e professores. “Devemos considerar as orientações dos órgãos de saúde, especialmente no que diz respeito às aglomerações. Talvez, uma a duas idas mensais à escola possa ser possível, mas com todo um plano de retomada e rodízio para os estudantes e professores. O retorno diário às aulas presenciais, atendendo o mesmo quantitativo de estudantes antes da pandemia, é inviável e pouco prudente!”, afirma.

Quais as vantagens dessa metodologia?

Ainda de acordo com a pedagoga, o ensino híbrido possui vantagens, desde que seja compreendido sobre a responsabilidade do estudante com o seu tempo fora da escola. “Seria aquele antigo hábito do horário de estudar! Claro que sempre mediado pela presença de um adulto, no caso de crianças menores. Para os adolescentes, a troca com os demais colegas e professores virtualmente pode se tornar um grande momento de relacionamento, aprendizagem e potencialização de habilidades já aprendidas”.

O Brasil como um todo, especialmente o Amapá, possui limitações para a execução do formato on-line e ainda está caminhando para digitalizar o ensino. Arnanda destaca que a educação brasileira em seu contexto geral (escolas pública e privadas) precisa ampliar os investimentos em tecnologia.

“Na verdade, os investimentos na educação precisam ser fortalecidos em todos os âmbitos.”
Ela também destaca a importância da capacitação das equipes docentes para o método. É necessário “dar acessibilidade aos mesmos (internet, dados patrocinados, equipamentos…) Para que se tenham as mínimas condições de colocarem as ferramentas pedagógicas e didáticas via tecnologia em prática”.

Participação dos pais na vida escolar dos filhos

O ensino híbrido requer uma participação coletiva. “Estado, escola e família caminham juntos! Não tem sentido, nem força, apenas um desses agentes abraçar a causa!”, afirma a pedagoga. Quanto ao papel da família, ela explica que deve haver o acompanhamento em casa, uma rotina de estudos e estimulação da criança/adolescente a se engajar na proposta de responsabilidade e compromisso.

Já “a Escola tem o dever de proporcionar as propostas pedagógicas para o processo de aprendizagem. E o Estado tem o dever de investir para que as escolas funcionem da melhor forma e atendam aos estudantes com acesso, permanência, desenvolvimento, bons resultados e conclusão dos estudos”.
A professora e mãe Hélida Coelho declara que “é essencial o apoio dos responsáveis, pois os estudantes, dependendo do seu nível de ensino, necessitam do direcionamento, incentivo mediante as tarefas e resoluções de problemas”.

Retomada das atividades escolares

O mundo vive um problema que compromete a saúde coletiva e individual dos seres humanos. Diante disso, é natural a existência de lacunas nas dimensões pedagógicas, mas que podem ser corrigidas ou fortalecidas, como afirma Arnanda: “É preciso esse olhar responsável para que nenhuma criança ou adolescente fique sem a escola. Isso é uma outra frente coletiva muito latente e necessária: que todos consigam retomar suas atividades escolares”.

Muitos pais ainda não se sentem seguros com relação à volta dos filhos para a sala de aula. Para Hélida, ainda não é seguro devido ao alto risco de contágio. “Para que não haja propagação da doença é necessário um novo comportamento, para ter o alcance de todos seria imprescindível, um treinamento ou uma mudança de paradigma”.

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Questionada sobre o cronograma para os atendimentos presencias escolares, a pedagoga Arnanda Oliveira sustenta que cada escola, considerando sua demanda, “crie um rodízio seguro de distanciamento entre os que forem presencialmente, um quantitativo por sala que não gere aglomeração, um tempo reduzido nesse contato presencial” e ressalta: “não é prudente pensar esse retorno ainda em pandemia, no mesmo formato anterior a esta. O momento é diferente, delicado e que precisa de muito engajamento de todos e forte senso coletivo”.

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Mônica Peixoto

Pupila de jornalismo, apaixonada pela arte e pela comunicação.

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