Setembro Amarelo: seis anos após tentar suicídio, MC Deeh usa música para falar sobre saúde mental

A música “188” fala sobre o processo de recuperação da cantora que tentou suicídio pulando do segundo andar do Colégio Amapaense

Seis anos depois de tentar suicídio, a cantora amapaense Ana Débora de Andrade, mais conhecida como MC Deeh, lançou a música “188” onde pela primeira vez fala publicamente sobre o assunto. Em constante processo de recuperação, a rapper utiliza a sua arte para alertar outras pessoas sobre como lidar com a saúde mental.

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O caso de MC Deeh aconteceu no dia 30 de abril de 2014, quando, aos 16 anos, a rapper tentou tirar a própria vida se jogando do segundo andar do Colégio Amapaense, no centro de Macapá. Naquela época, o fato teve grande repercussão na internet e na imprensa, inclusive com pessoas emitindo julgamento sem conhecer a verdadeira história da adolescente.

A rapper sofre de depressão desde os 13 anos, e na época em que tentou suicídio estava passando por vários problemas relacionados a rejeição, maus tratos e paternidade. Após se jogar do parapeito do segundo andar do colégio onde estudava, MC Deeh ficou mais de quinze dias se pode andar.

Depois de todos esses anos, a MC decidiu falar pela primeira vez publicamente sobre o assunto, e lançou a música “188”, uma referência ao número do serviço de atendimento do CVV (Centro de Valorização a Vida), que realiza um trabalho de apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo de forma voluntária todas as pessoas que querem conversar.

“Eu só consegui falar sobre o assunto depois de seis anos, porque eu sabia que muita gente me acompanhava e não sabia que era eu que tinha sido aquela vítima. Então uns dias antes de lançar o trabalho, eu conversei com minha psicologa e ela me explicou até como eu poderia fazer um texto, porque eu estava com medo de tudo, de ser julgada novamente. Então eu só lancei o clipe e sai das redes sociais, porque eu estava com medo de como aquilo ia repercutir, então teve todo um trabalho”, contou a MC.

Veja o videoclipe:

Atualmente com 22 anos a cantora segue com acompanhamento psicológico em um constante processo de recuperação. Casada e grávida, a artistas passou a entender ainda mais sobre esses conflitos de saúde mental, e busca sempre ajudar outras pessoas que estejam passando pelos mesmos problemas.

“Muitas pessoas me procuraram depois do lançamento do clipe, tanto para pedir perdão pelos julgamentos da época, quanto para pedir ajuda. E eu sempre procuro ajudar de toda forma possível, indicando e incentivando essas pessoas à terem um tratamento psicológico. E eu fico muito feliz quando eu consigo perceber que consegui fazer essa pessoa entender que ela precisava desse tratamento”, destacou a artista.

MC Deeh pretende continuar utilizando a música para alertar as pessoas sobre saúde mental que, segundo ela, é um assunto que faz parte da sua vivência e da sua sobrevivência.

“Pretendo e devo sempre abordar sobre esse assunto. Esse acontecimento prejudicou muito minha vida e infelizmente até hoje existem pessoas que não entendem, que mesmo depois de eu ter lançado esse trabalho ainda julga, baseado em uma fake news que falavam na época. Mas eu vou continuar falando de coisas da minha vivência, como mulher negra da periferia, sobre mulherismo africano, sobre diferença de classes e sobre saúde mental. Então eu sempre vou abordar esse tema muito importante, que salva vidas”, frisou.

Gravação do clipe da música “188” (Foto: Arquivo Pessoal)
Carreira

Mc Deeh começou no movimento hip hop aos 13 anos com a dança, durante um projeto cultural na sua escola e seguiu pelo caminho como Bgirl, que é a garota que dança breaking. Apesar de sempre escrever suas poesias, só em 2018 que iniciou a carreira como MC ao conhecer como se produzia os beats.

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Como as pessoas não sabiam que iria entrar nesse ramo musical, MC Deeh de cara lançou o videoclipe mostrando seu trabalho com a música meu “bonde É esse”. Suas letras falam sobre sua vivência, sua própria história de vida, o empoderamento da mulher e principalmente da mulher preta da periferia.

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Gabriel Dias

Repórter e editor no site Catraia Digital, com passagens pelo G1 Amapá, Portal Terra e Torcedores.com.

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