Anna Karoline III: um ano da tragédia nas águas do maior rio do mundo

Excesso de carga e outras irregularidades ocasionaram o naufrágio da embarcação

Por: Deise Silva e Mônica Peixoto

No dia 29 de fevereiro de 2020, uma tragédia aconteceu no Sul do estado do Amapá, embalada pelas águas do rio Amazonas. Há um ano o navio Anna Karoline III naufragava deixando perdas irreversíveis. O que era para ser uma simples viagem de 36 horas, acabou se transformando em uma partida sem volta, gerando revoltas e tristeza.

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O navio saiu do município de Santana, por volta das 18h na sexta-feira, dia 28 de fevereiro, e seguiu em direção a Santarém, no noroeste do estado do Pará, com previsão de chegada às 6h do domingo, 1º de março. Entretanto, na madrugada de sábado, próximo à Ilha de Aruãs e da Reserva Extrativista Vale do Cajari, a viagem foi interrompida e um pedido de socorro foi feito pelo comandante, sendo que o primeiro resgate só chegou ao local às 14h do sábado.

O inquérito policial concluiu na época que a embarcação viajava com excesso de carga, além de várias outras irregularidades. Com base em depoimentos e notas fiscais, a embarcação levava mais do que o dobro da capacidade, sem autorização para fazer esse transporte junto com passageiros. Estima-se que 93 passageiros estavam a bordo, 51 sobreviveram e 42 tiveram suas vidas ceifadas.

Foram indiciadas por homicídio doloso, ou seja, quando há a intenção de matar, seis pessoas, entre elas o comandante e o dono do navio, tripulantes, militares da Marinha do Brasil, despachante e o proprietário de uma segunda embarcação.

Muito se falou sobre o caso, que emocionou e solidarizou diversas pessoas. Mas apesar do passar do tempo, a dor e a saudade dos familiares que perderam seus entes queridos, ainda é grande. A costureira Lia Silva, que perdeu a mãe, dona Iolanda Alves Pereira e outros parentes no naufrágio, conversou com a nossa equipe e descreveu o sentimento da família após um ano: “Todos os meses a família faz uma homenagem para cada um. Tentamos ajudar uns aos outros, na verdade eu acho que a gente consegue sobreviver, essa é a palavra certa. Quando falamos desse acontecimento a gente volta no naufrágio, eu principalmente que estive lá e ajudei a pegar muitos corpos de crianças e adultos”. Lia afirma que os parentes estavam indo para um aniversário de casamento de um primo, a comemoração seria em Almeirim, uma das cidades previstas na rota antes da chegada da embarcação em Santarém.

Lia Silva e sua mãe Iolanda Alves à direita (Foto: Acervo Pessoal)

Hoje a família só espera por justiça e que as medidas cabíveis sejam tomadas, no entanto Lia explica que ainda não teve nenhuma resposta final sobre o acontecimento. Até o momento o caso passa por diligências e novas investigações estão sendo realizadas para que sejam analisadas novamente pelo Ministério Público Federal (MPF), assim podendo ter medidas judiciais definidas. Porém os indiciados estão acompanhando o andamento do caso em liberdade.

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O navio Anna Karoline III não tinha autorização para realizar viagem entre Macapá-Santarém, o destino permitido era Macapá-Manaus, vídeos circularam na internet mostrando a sobrecarga do navio, a embarcação também chegou a fazer um abastecimento irregular durante a viagem e as condições climáticas não eram boas no momento. Uma série de práticas ilegais foram apresentadas no inquérito. O navio chegou a passar por uma reflutuação e o cenário encontrado reflete a memória de diversos passageiros ao identificarmos objetos pessoais como malas e redes. A equipe do Catraia Digital se solidariza com as famílias que estão revivendo esse momento após um ano.

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Mônica Peixoto

Mônica Peixoto

Pupila de jornalismo, apaixonada pela arte e pela comunicação.

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